Encontros e desencontros

Encontros e desencontros

A vida prega peças, dessas que rimos por falta de jeito.
Quando pessoas se cruzam e nem se esbarram.
Quando tempos se cruzam e nem se encostam.
A vida prega peças, dessas que viram histórias.
Daquelas histórias que poderiam virar vidas.

Jovens tão sem jeito em sua mais tenra idade.
O espelho não os agrada…
Talvez nem aquilo que vêem fora dele.
Não se buscam, não se esbarram e nem se notam.
Mas a vida passa e lhes trás novas oportunidades.
Mesmo que distantes… assim… do jeito que a vida faz.

As faces mudam. Os corpos então não mudam, evoluem.
A vida muda. Bate, ensina, amadurece.
E assim depois de desencontros mil,
O encontro acontece e surpreende com as novas faces,
Com novos corpos e liberdades.

Cada um viveu tanta coisa, alegrias ou não.
Mas em similares habilidades se encontraram.
E aquele tempo de desencontros,
Desemboca em conversas, conhecimentos.
Atiça vontades, desejos e devaneios.

Se sonho, se realidade… nem é importante a diferença.
O que importa é somente o encontro,
Ciente do desejo, da liberdade que cada um deu em troca da sua própria.
O encontro das bocas que misturam almas,
Dos corpos que selam o desejo, mesmo na amizade até então desgastada.

Ele a vê depois de tantos sonhos e brincadeiras.
Ela o vê depois de se despir de suas culpas e medos.
As bocas conhecem o caminho já certo,
Mesmo que totalmente novo,
Um da boca do outro e o beijo desencadeia tudo.

Uma dança começa, ritmada pelo batuque dos corações.
Levada pela música das ofegantes respirações.
Beijos e amassos. Abraços e laços.
Ela se deixa levar, em círculos, em apertos contra a parede.
Ele se entrega e libera, ao cheiro e jeito, ao corpo da delicia em sua frente.

As roupas começam a ficar para trás.
Ele a beija a boca, os seios tão deliciosos…
Se ajoelha e quase em veneração lhe chupa.
Ela já molhada se derrama na boca dele,
Estremece e deseja mais, puxa a cabeça dele mais para perto.

Ele já lateja, a deseja ali mesmo, contra a parede.
Mas espera, também quer o beijo dela.
Se afasta no momento certo,
Se senta, ela entende o desejo dele que também e dela.
O engole, em movimentos lentos, suaves. Uma artista.

Ele suspira. Deseja por um instante se entregar ali mesmo na boca dela.
Mas espera, a guia pra cima de seu corpo.
Se faz deslizar para dentro dela, num espasmo a agarra forte,
A beija como se não houvesse amanhã.
O batuque de ambos se complementam e o ritmo só aumenta.

Ela geme. Alcança o primeiro êxtase.
Ele quer mais… a deita… a beija.
Bebe todo seu gozo. Se deleita.
A abraça. De novo a penetra.
Num ritmo suave… só quer atiçá-la uma vez mais.

Então tudo recomeça, ela se põe de quatro.
Rente ao corpo dela, ele a penetra naquela linda visão.
Incrível a beleza que ele vê, o tesão que ela lhe desperta.
Com carinho e firmeza dá tapas que mostram o desejo latente.
A mulher se derrete sob ele, e dessa vez ele a acompanha.

Se deitam, aquele cheiro delicioso no ar.
O batuque diminuindo, mas todas sensações afloradas.
Amanhã tudo volta a ser como era.
Mas nada será como já foi.
Um muro de desencontros fora derrubado e o espelho já os agrada.

Aluísio Meneses


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