Stephanie

Stephanie ganhou um vibrador de Natal. Não foi presente de ninguém. Foi dela pra ela mesma. Depois de 23 anos sem ter ideia do que era um orgasmo, decidiu dar uma guinada na mente. Na vida.

Antes disso, tentou senti-lo de todas formas possíveis. Primeiro se permitiu viver. Terminou com o namorado que tinha nojo de chupá-la. Inclusive, ele gozava – em média – depois de 4 minutos dentro. Sim, quatro. E ela ficava lá. Olhando pra parede. Não sabia se rezava ou saía correndo pela porta.

Depois de deixar o ‘Jon Duan’ pra trás, beijou a amiga. Por quê? Porque sim. E beijou uma desconhecida também. E ela tocou nela. Tocou como ela sempre quis ser tocada. Ela quase chegou lá. Quase. Mas travou do nada. Pediu pra menina parar. Stephanie chegou no limite. Precisava se reinventar.

Decidiu radicalizar. Foi ao swing porque sim. Duas vezes. Na primeira só olhou. Na segunda transou, transou, transou. E o maldito orgasmo não vinha. Mas que caramba (porque se eu escrever car$%&@& o Facebook deleta esse texto).

Depois que ela decidiu buscar o próprio prazer, a sociedade já começou a disparar julgamentos. ‘Falei que de santa essa daí não tinha nada’, disse a tia quando soube que ela ‘estava solteira e aprontando’. Tia que soube porque o próprio filho participou de uma festinha e deixou a informação vazar. O primo de Stephanie chamou um amigo e os dois tiveram muito prazer. Mas Stephanie nada. Tia essa que, na adolescência, também fez sua busca por prazer. Mas os tempos mudam a a hipocrisia precisa reinar nas famílias, né?

Se a gente analisar a vida de Stephanie, veremos que ela tem todos os motivos do mundo pra ainda não ter gozado. Seus dois únicos namorados eram bem machistas, sequer a chupavam. Sua família era toda hipócrita, o pai – cheio das amantes ao longo da vida – demorou muito pra aceitar que a filha se relacionasse com alguém. Só depois dos 18. Pai que também a mandava fechar as pernas. Mandava, gritava. Como se o ato de uma criança manter as pernas em determinado ângulo fosse, de fato, um pecado. Pra ajudar, as revistas que Stephanie lia na adolescência a ensinavam a agradar o Maurício, o Caio, o Henrique, mas nunca a ela mesma. Na escola ela via muitos pintos desenhados nas cadeiras e cadernos dos amigos, mas a vagina dela (porque se eu escrever buc$%¨& o Facebook deleta meu texto) era assunto proibido.

Stephanie perdeu a libido por uns tempos. Assistia filmes, seriados, saía com a amigas, dava uns beijos e não queria nada além. Mas decidiu que era hora de mudar. Ser quem queria ser. Entendeu que a gente veio nessa vida pra ser feliz. E-p-r-a-g-o-z-a-r.

Stephanie, cê sabe: não tem porquê se envergonhar. Seu corpo é seu. Seu vibrador é seu. Pago com o dinheiro do seu trabalho. Seu prazer é todo seu. E fica tranquila, agora que você se aceitou, sua hora vai chegar. Cuidado com a câimbra e não esquece de por o vibra pra carregar. A bateria dele acaba rapidinho, mas o seu desejo tá só por começar.

Por: Fábio Chap


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